Passiflora - Fundo de Amparo a Cadeia Produtiva do Maracujá no Brasil
 


A Produção

O maracujazeiro é uma cultura que apresentou acentuada expansão no Brasil até a safra 96/97, evidenciando sua popularização no mercado interno nos diferentes segmentos de consumo. Dados do IBGE mostram que no período entre 1988 e 1996 houve um crescimento da produção de 60% e da área plantada de 77%, sem significativas oscilações de preço, exceto no início do ano de 94 quando variáveis climáticas causaram uma queda na produção. Ainda segundo o IBGE, a produção brasileira foi de 250.213 toneladas em 1.988 e 409.497 toneladas em 1.996. A região Nordeste foi a principal produtora com 43% da produção nacional em 1.996.

Entretanto, a partir de 1996 houve um decréscimo expressivo tanto da área cultivada quando da produção propriamente dita, e segundo os dados do IBGE foram de 317.146 toneladas para 1.999. Dados não oficiais indicam que a produção apresenta tendência declinante para os anos recentes.

O Brasil vinha se constituindo num dos principais países exportadores, chegando a ser responsável por mais da metade do suco comercializado no mercado internacional até 1.994. Este quadro se modificou. Hoje o Brasil passou a condição de importador de suco.

Dentre as causas destas variações entre regiões produtoras e oferta, têm se destacado problemas de comercialização e técnicos do cultivo. Nas regiões emergentes, o primeiro problema enfrentado pelos produtores é a venda por preços remuneradores. Existe um razoável percentual de fracassos logo nessa primeira etapa. A ausência de suporte de comercialização e de planejamento da produção é o principal fator limitante nesses casos. Superada esta etapa, à médio prazo, acentuam-se os problemas técnicos do cultivo. Esses problemas surgem da interação entre a degeneração da “variedade local” e o aumento significativo da incidência de pragas e doenças que resulta na perda de classificação, diminuição da produtividade e o conseqüente aumento dos custos de produção. Aliado a isso, apesar dos esforços empreendidos, os profissionais de assistência técnica tem se frustrado, pois o atual nível de conhecimento tecnológico não tem sido suficiente para reverter essa situação.



A pesquisa e a Assistência Técnica

A pesquisa com a cultura do maracujazeiro por muito tempo se caracterizou pelo esforço individual de poucos pesquisadores, que além de se dedicarem a outras culturas também realizavam alguns trabalhos com o maracujá. Uma evidencia deste fato, é a própria intermitência de eventos científicos como o Simpósio Brasileiro da Cultura do Maracujazeiro que teve sua primeira edição em 1.971 e neste período 32 anos realizou-se somente cinco vezes.

Um problema crônico da pesquisa no país é a escassez de recursos financeiros. Isto ainda é mais grave no caso do maracujá uma vez que as agências oficiais de financiamento vêm priorizando as grandes culturas. Este fato influência diretamente o estabelecimento dos trabalhos de pequisa de longa duração, com dedicação intensiva dos pesquisadores. Entretanto, apesar de todas essas dificuldades, o número de pesquisadores de maracujá cresceu significativamente a partir de 1.991, formando-se pequenos grupos de dedicação parcial no Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, na Esalq/USP, na Universidade Federal de Viçosa, no IAC, EMBRAPA/CPAC, EMBRAPA/CPMF, além dos pioneiros e tradicionais UNESP (Campos de Jaboticabal e Botucatu) e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral da Secretaria da Agricultura de São Paulo.

Um ponto a ser considerado em relação a pesquisa diz respeito as experiências financiadas e conduzidas pela iniciativa privada. Como exemplo, pode-se citar os caso da indústria Maguary (Kraft Foods) na região de Araguari-MG que constituiu uma equipe multidisciplinar de pesquisa composta por 17 profissionais (técnicos de campo, pesquisadores da Bioplanta, além de consultores de várias instituições públicas de pesquisa). Durante oito anos consecutivos esta equipe trabalhou no sentindo de obter plantas tolerantes às diversas pragas e doenças, frutas com coloração de polpa adequada às preferências do consumidor, sólidos solúveis acima de 14º Brix e rendimento industrial superior a 42%. Como resultado deste trabalho, foi lançada no mercado uma variedade de maracujá denominada “Maguary” que atende às características acima descritas. Outra grande contribuição desta iniciativa, é que ela serviu de base para a definição das recomendações de adubação hoje adotadas pela CATI e outros órgãos existentes no Brasil.

Em relação a Assistência Técnica, em primeiro lugar é importante lembrar que a cultura não fazia parte dos currículos de nenhuma escola de ciências agrárias do país e ainda não faz na maioria dos casos. A conseqüência é que os profissionais que hoje trabalham com assistência técnica carecem de conhecimentos básicos da cultura do maracujazeiro. Por outro lado, a exploração comercial da cultura do maracujazeiro tem apresentado uma dinâmica própria no seu processo de consolidação na regiões produtoras com surgimento constantes de problemas de manejo com solução cada vez mais complexa. A limitada formação acadêmica, associada a complexidade dos novos problemas tem restringido a ação destes profissionais com a cultura, gerando insatisfação por parte dos produtores e eventual abandono da cultura.


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